|
|
|
|
|
 |
| Apresentação
| Biografia | Escritos
| Liturgia
| Galeria de fotos |
 |
|
 |
|
A VIDA É UM DOM |
 |
|
É um dom de Deus para os seus pais: o Sr. José Maria
López Jiménez e a Sra. D. Nicolasa Vicuña… Era
Primavera. Neste tempo, nesta Primavera de 1847, no
dia 22 de Março, em Cascante, Navarra, desabrocha a
vida de Vicenta Maria no seio de uma família cristã.
Vicenta Maria recebe o dom da vida sendo ela mesma
um dom… |
 |
|
PEGADAS DE UMA INFÂNCIA |
 |
|
Viviam em Cascante o
Sr. José Maria Garcia, sacerdote, tio de D. Nicolasa,
a quem a família chamava "o senhor tio D. Joaquim",
e D. Dominica Vicuña, irmã da mãe de Vicenta Maria,
que cuidava do tio. Ambos foram padrinhos de
Baptismo da menina. O Sacramento foi-lhe
administrado no dia 23 de Março, 16 horas após o seu
nascimento. Assumiram o seu compromisso de padrinhos
e tiveram grande influência no processo da sua fé.
Os seus pais também
lhe dizem que o "senhor tio" fala com Deus. Louva a
Deus, repete salmos, com os quais lhe dá graças
bendizendo-O e aclamando-O… Deus… sempre Deus como
PANO DE FUNDO NA SUA VIDA… Para ela é difícil
compreendê-l'O. Mas a sua vida , como uma flor,
vai-se abrindo à luz… Um dia saberá que é Deus. |
 |
|
O PRIMEIRO MESTRE |
 |
|
Era inteligente,
intuitiva, observadora, reflexiva, tenaz e inquieta… e o
Sr. José Maria, que descobriu em seguida o potencial da
pequena, quis ser ele o primeiro, a dar a formação à sua
filha.
Sentava-a numa cadeira em
cima da mesa do escritório e procurava as mais variadas
formas de atrair a atenção da menina no decorrer das
lições.
O binómio pai-professor
criou em Vicenta Maria uma receptividade alegre e
espontânea ajudando-a a descobrir o valor da formação
personalizada que tanto utilizaria depois no seu
trabalho pastoral. |
 |
| ABRENDO
CAMINHOS |
 |
|
D. Maria Eulália, a tia
tão querida de Vicenta Maria, era uma senhora da alta
sociedade de Madrid. Estava casada com o Sr. Manuel de
Riega, cavaleiro da Real Ordem de Carlos III e
Secretário Honorário de S. M. com exercício de Decretos.
Tinha um coração grande e sensível às necessidades dos
outros, generoso e comprometido na procura de soluções,
tudo isto reflexo de uma forte consciência social. O seu
irmão, Sr. Manuel Maria Vicuña, que vivia dedicado a
ajudar os pobres, compreendia-a muito bem e apoiava as
suas iniciativas.
Pertencia ao grupo de
fundadores da Congregação da Doutrina Cristã,
estabelecida em Madrid em1842. Era uma associação de
leigos comprometidos que canalizavam o seu zelo
apostólico, dedicando parte do seu tempo livre a visitar
e ensinar o catecismo às crianças internadas no Hospital
Geral e posteriormente no Hospital de S. João de Deus.
Foi neste Hospital que sentiram a necessidade de
atender também à sala dos adultos.
D. Maria Eulália, entra
assim em relação com as necessidades da juventude
feminina que vai ganhando terreno no seu coração. Surge
nela algumas interrogações:
- como podemos ajudar
estas raparigas que tanto precisam de nós?
- onde procurar
alojamento para oferecer-lhes?
- Quando… e com que
ajudas?
|
|
ALUGA-SE ESTE ANDAR! |
 |
|
É dia 8 de
Dezembro de 1853. D. Maria Eulália ao passar
pela rua de Lucientes descobre um letreiro que
diz: "aluga-se este andar".
Surge-lhe uma luz
e na sua mente aparece uma ideia clara, que sem
dúvida vem de Deus: "aqui iniciarás a tua
empresa". Apressa os trâmites para formalizar o
aluguer do andar, assina imediatamente o
contrato e instala três camas que em seguida
serão ocupadas por três raparigas saídas do
Hospital, e contrata uma senhora para cuidar
delas.
A simplicidade e as escassas
dimensões com que começou a obra foram a causa
do nome "A Casinha", que será um lugar de
encontro para as jovens. Aí são acolhidas e
orientadas procurando-se colocá-las em boas
casas de senhores conhecidos. |
 |
|
PRIMEIRO ENCONTRO |
 |
|
Vicenta Maria tem apenas 7 anos. É a primeira
vez que deixa Navarra e vai para Madrid. Não
pode intuir ainda que, mais tarde, aí a espera o
Senhor e que Madrid-Cascante serão, com o
decorrer do tempo, dois extremos de um caminho
semeado de amor, projectos e provas fundamentais
da sua vida.
Tudo isto será obra da história.
Para os nossos viajantes, o trajecto feliz
termina com o encontro alegre de ambas as
famílias. Desde agora a relação tia-sobrinha
estará marcada por: carinho sincero, compreensão
mútua, respeito e confiança. |
 |
|
PARA ESTUDAR, MADRID |
 |
|
Preparam o seu futuro com um concerto a quatro
mãos… Nas cartas que se cruzam entre Madrid e
Cascante, fala-se fundamentalmente dos estudos
que Vicenta Maria seguirá. Pais e tios querem
para ela uma instrução adequada à sua condição
social e que a prepare para um futuro brilhante.
No dia 24 de Novembro de 1857 parte Vicenta
Maria de Cascante.
Os seus tios enchem-se de alegria
com a chegada da menina. Sonharam tantas vezes
com este momento… Projectaram nela muitas
ilusões. Começam a procurar colégio para ela.
Pensam na Visitação… nas Carmelitas, mas nenhum
lhes agrada completamente. Por fim, com o acordo
de todos, opta-se por procurar professores de
francês e piano, que dêm aulas a Vicenta Maria
em casa de seus tios. D. Maria Eulália
encarrega-se de elaborar, ela própria, um
horário para a sobrinha, no qual todos os
minutos do dia estivessem ocupados. Com ele
pretendeu moldar a vontade
da pequena e
acostumá-la a um cumprimento do dever sério e
comprometido. |
 |
|
NOVO AMANHECER |
 |
|
Vicenta Maria
cresce. Vai penetrando na aventura da vida. Dos
13 aos 15 anos vive intensamente esse despertar…
esse descobrir novos horizontes… uma força
juvenil corre pelas suas veias…
O seu campo de
relação aumenta consideravelmente ao entrar em
contacto com as companheiras de colégio de S.
Luís dos Franceses, onde decidiram levá-la.
Neste renascer de
primavera, encontra-se perante si própria. Gosta
de si e quer amar os outros. Desperta de um
sonho. Entra em sintonia com um novo estilo de
comportamento, com um novo tipo de leituras,
mais românticas, mais de acordo com a onda
exuberante que a dinamiza… Considera a vida
bonita, muito bonita… Gostava de arranjar-se e
de trajar elegantes vestidos… Entusiasmou-se
pelo francês…
O tempo vai
passando e já são três, os anos que Vicenta
Maria permanece em Madrid, com os seus tios,
onde chegou quando era uma criança. Agora, feita
mulher, sente necessidade de ver os seus pais e
viver com eles algum tempo. |
|
ARCO-IRIS |
 |
|
No interior de
Vicenta Maria brilha um feixe de luzes, um
arco-íris que dá brilho à sua personalidade. Tem
inclinações e habilidades que revelam um génio
de artista. Os pincéis, a pena, a música e a
arte dramática são-lhe familiares. Além disso
era muito sociável e tinha uma grande capacidade
de relação.
Em Cascante
procurava as outras meninas para partilhar as
experiências, os acontecimentos… e, em Madrid,
além das amizades do colégio francês e das
meninas de Lartiga, outras foram suas amigas no
sentido mais profundo da palavra, porque o seu
coração estava orientado à abertura, à entrega,
ao acolhimento do outro, à relação simples e
fraterna.
AMIZADE: que
supera o isolamento.
AMIZADE: que
estreia sentimentos profundos em cada amanhecer.
AMIZADE: que se
abre cada dia, em cada momento ao Senhor, que a
tornou possível.
AMIZADE: enfim,
que dura sempre, porque não nasce nem se
alimenta de valores relativos. |
 |
| EM
LIBERDADE |
 |
|
A partir dos 15
anos um novo vento de paz penetra na vida de
Vicenta Maria. Estamos em 1862. Vai-se
configurando o perfil de uma jovem carregada de
valores, de humanidade, de compreensão, de
simplicidade… de sensibilidade para o bem e o
compromisso com os outros.
A partir de agora
aparece na sua vida um objectivo claro de
comprometer-se seriamente como cristã. A
contínua procura de tudo o que era mais do
agrado de Deus, o empenho por encontrar a
vocação a que Deus a chama, e sobretudo uma
sensibilidade e delicadeza muito grandes, são
como o pano de fundo de um tempo de bonança
espiritual e trabalho interior bem feito,
conseguindo o maravilhoso efeito de uma jovem:
LIVRE, com grandes ideais.
SENSÍVEL, perante o AMOR e a BELEZA QUE
DESCOBRIU INFINITOS.
DISPONÍVEL, para acolher e cumprir a VOZ de
DEUS, onde se manifeste.
Desde os 15 aos
20 anos continuou acompanhando a sua tia e
colaborando com ela nas visitas ao Hospital e
sobretudo com as jovens. Uns e outros chegam a
um acordo de que estará em Madrid de Outubro a
Junho e que passará as férias em Cascante. É
neste tempo estival que organizou uma Escola
Dominical para as jovens necessitadas a todos os
níveis.
É incansável na
sementeira… na procura de caminhos que possam
ajudar as jovens. |
|

|
|
NÃO HAVERÁ CASAMENTO
|
|

|
|
Agora, aos 19
anos, quando termina a sua formação e a sua
figura é digna de atrair a atenção do rei
Francisco de Assis na sua visita a Cascante, os
seus pais pensam ter chegado o momento de
recolher os frutos que com tanto sacrifício
cuidaram. E postos a sonhar, imaginam Vicenta
Maria esposa de um grande homem, nobre, como
exigia a sua posição. Dona de cada e mãe de uns
quantos filhos… Conservam-se ainda as cartas em
que o Sr. José Maria expressa literalmente à sua
filha o desejo de ver-se rodeado de netos.
Ela guardava
completo silêncio sobre o seu futuro e estado.
Andava muito ocupada com as obras de caridade da
sua tia Eulália e não parecia preocupar-se
demasiado pelo que poderia suceder nos próximos
anos.
Os seus pais já
tinham conhecimento de vários cavalheiros que
desejavam unir-se em matrimónio com Vicenta
Maria… Havia, portanto que falar com ela… O Sr.
José Maria preferiu confiar esta missão a uma
prima sua, D. Maria Fernanda que conhecia bem a
sobrinha… Não foi necessário esperar; Vicenta
Maria já tinha tomado a decisão. Com carinho e
simplicidade disse: "Tia, nem com um Rei,
nem com um Santo." |
 |
|
O ECO DA SUA VOZ |
 |
|
Tímida, de
natureza simples, bondosa e pouco propensa a
fazer ressaltar os seus próprios valores,
Vicenta Maria penetrou na profundidade da vida
espiritual atraída pela força de Deus e nesse
processo crescente de fidelidade, que se apoia
no AMOR, na DISPONIBILIDADE e na FORÇA DA
PALAVRA DO SENHOR. Vicenta Maria é feliz e na
sua simplicidade interior deixa-se conduzir…
Abandona-se.
Ainda existem
muitos detalhes por matizar. Não sabe quando,
nem como há-de realizar a sua entrega, apenas
tem claro que o SEU NOME FOI PRONUNCIADO PELO
SENHOR E QUE o "SEGUE-ME", não é apenas um
convite, mas uma força que a atrai de forma
irresistível.
|
| OBJECTIVO:
A JOVEM |
 |
|
A constatação das
dificuldades que atravessa a Casinha vai
influindo na profunda reflexão de Vicenta Maria
sobre a necessidade de um novo Instituto que se
dedique a esta obra. Em Março de 1868 faz
Exercícios Espirituais, retirando-se por isso
para o Mosteiro da Visitação. Nestes Exercícios,
embora a decisão esteja já tomada, pretende
confirmar a sua opção e discernir serenamente,
para acertar com a vontade de Deus na
concretização e impulso do Instituto que irá
nascer.
Como era muito
exacta em anotar os sentimentos do seu interior
durante este tempo, existem dados e apontamentos
do ritmo de oração que viveu nos dias de
Exercícios, em que reflecte os movimentos de
consolação pelos quais o Espírito a foi
conduzindo até chegar à conclusão do
discernimento que confirmou as decisões tomadas.
Estas decisões
aparecem nos seus apontamentos em duas colunas: |
|
FUNDAÇÃO |
|
VANTAGENS |
INCONVENIENTES |
Glória de Deus mais
palpável.
Maior pobreza.
Mais mortificação das minhas
naturais inclinações.
Muito perigo de sofrer desprezos.
Quantos a irão vituperar!
Contínuo esforço.
Contínuo sacrifício.
Necessidade da época.
|
Nenhum
|
|
|
A resposta de
Vicenta Maria não deixa lugar a nenhuma dúvida:
"As
Jovens Triunfaram" |
 |
|
TOTALMENTE
DEDICADA À OBRA |
 |
|
De novo é
Primavera. Desde que terminaram os Exercícios, o
panorama que Vicenta Maria contempla é uma
primavera juvenil, um campo extenso de
necessidades de todo o tipo, e grandes
possibilidades de sementeira.
Mas tudo isto
estará perdido se não se encontra com quem
esteja disposto a lançar-se na aventura de
entregar a sua vida ao serviço do Reino, ao
serviço desta tarefa concreta de acompanhar,
acolher, orientar, partilhar… com as jovens para
projectar a luz do Evangelho, a cultura e o amor
sobre a realidade de cada uma. |
|

|
|
PORQUÉ?
|
|

|
|
Várias vezes
durante a sua infância, Vicenta Maria, perguntou
a seu pai o porquê das coisas que não
compreendia… Agora é ela quem deve explicar o
porquê da decisão, tão pouco vulgar, que acaba
de tomar.
Para
comunicar-lhe os seus projectos escreve a
seguinte carta:
Madrid, 28 de
Maio de 1868
Muito
querido papá: Pode imaginar quanta alegria
sentimos em que continue melhorando, segundo nos
contava na sua anterior carta, e é de esperar
que desapareçam por completo esses padecimentos,
já que um medicamento tão simples produziu tão
bons efeitos.
Em
relação ao que diz respeito à minha viagem,
encontro-me na obrigação de manifestar-lhe
que a minha estadia nesta cidade já não tem por
objectivo acompanhar os meus tios, mas seguir a
minha vocação. Muitas vezes vos ouvi dizer que
não queriam ver-me solteira, e que, um dos
deveres dos pais era ajudar os seus filhos na
sua orientação vocacional, assim, se compreende
que, a cada um, se lhe há-de proporcionar
aquele caminho a que Deus o chama. Suposto,
pois, o desejo que tem de ver-me casada
simultaneamente deveria renunciar à minha
companhia, pois dificilmente permanecem os
filhos ao lado de seus pais depois do casamento.
Penso que
estará já convencido de que não pretendo
casar-me, pois Deus dignou-se escolher-me para
outro modo de vida, livre dos impedimentos do
mundo e cujo ideal é a minha própria perfeição e
salvação do meu próximo.
Ao
ouvir isto, poderia pensar que vou propor-lhe
alguma decisão de entrar em alguma Ordem ou
Instituto, que talvez me obrigasse a vincular
com votos definitivos e perderia a esperança de
ter-me ao seu lado e ainda de ver-me com
facilidade, mas parece que Deus quer outra coisa
muito mais suave. Se quiser recordar, já lhe
tenho dito, que a minha inclinação era cooperar,
com as minhas débeis forças, para que esta obra
das empregadas domésticas cresça, e diga-se de
passagem, é escolha espontânea e que surgiu
apenas de Deus.
Há já
alguns anos que com a aprovação de pessoas muito
competentes, tenho pensado pertencer a uma
Congregação de senhoras que, vivendo em
comunidade, sob uma "regra" religiosa, se ocupem
desta obra, ajudando as jovens durante a sua
permanência no Colégio e tendo outros trabalhos
como, por exemplo, visitá-las, etc., e que até
agora foi feito por senhoras particulares. A
qualquer pessoa assustaria tal projecto, e não é
para menos, se contássemos só com os meios
humanos, mas este tipo de coisas, unicamente
Deus as pode fazer, valendo-se de instrumentos,
por vezes os mais inúteis, para mostrar deste
modo o seu poder. Assim, eu vejo como vai
orientando as coisas, pois sem saber como, vim
viver sob o mesmo tecto das minhas pobres
jovens, que era todo o meu desejo. Desde que
vim, em Dezembro, estou dedicada a elas,
conforme as circunstâncias o permitem, e esta
ocupação é o meu único centro.
Disse-lhe que me ocupo de algo mais suave de que
qualquer outra coisa a que pudesse aspirar,
porque, em primeiro lugar, não me comprometo com
votos solenes, e, além disso, podeis vir passar
comigo o tempo que quiserdes, e eu, também
poderei ir aí algumas vezes. Já vê que religiosa
tão flexível; mas isso poderá ser quando outras
pessoas se encarreguem do governo da casa, mas
não agora, que as circunstâncias fazem com que,
muitas coisas, para não dizer as mais
essenciais, dependem de mim.
Assim
pois, papá, não penso, que queira opor-se aos
desígnios da Providência e ser causa de que se
deixe de fazer o bem, o qual se perturbaria
grandemente se me ausentasse daqui. Já sei que
será difícil o que lhe peço, ou seja, o que Deus
exige, mas para isso existe o domínio que
devemos ter sobre nós, para não actuar ao nosso
gosto, mas sujeitando sempre o apetite à razão e
a razão a Deus.
Papá, seja
generoso, mostre nesta ocasião a magnanimidade
do seu coração, compreenda as coisas segundo o
verdadeiro ponto de vista, saiba agradecer a
Deus a graça tão grande que lhe faz querendo
servir-Se desta pobre filha para o Seu serviço.
Se o mesmo Senhor lhe falasse e dissesse: "
Cede-me essa filha que te dei, porque necessito
dela", teria coragem de negá-la? Não sentiria
grande honra em que Se dignasse pôr os olhos em
mim? Pois isto aconteceu, se bem que
compreendamos as coisas ao contrário.
Muitas
coisas lhe diria, mas contentar-me-ei em
manifestar-lhe que tenho muita pena em
causar-lhe o mais pequeno sofrimento, e não está
na minha mão deixar de comunicar tudo o que
escrevi. Está nas suas mãos converter tudo em
bem.
Agora
penso que, se for motivo de mágoa responder a
quanto lhe digo, de tal modo que me deixe
sossegada, tomarei o silêncio como resposta, e
assim, iremos vendo o que Deus quer. Receba um
abraço da sua amada filha.
Vicenta Maria López y Vicuña
Está
convencida de que esta é a VONTADE DE DEUS
e não acredita que, dificuldade alguma possa ter
força suficiente para fazê-la desistir. |
 |
|
NACEU! |
 |
|
Nasce o Instituto
na simplicidade que é sinal da presença de Deus…
Vicenta Maria idealizou o hábito sóbrio e
elegante e concretizou quem seriam aquelas que
deveriam entrar para fazer parte do Instituto,
cujo nascimento se aproximava. Foram três as
primeiras Filhas de Maria Imaculada: Pilar de
los Rios, Maria Patrocínio de Pazos e Vicenta
Maria.
Escolheram o dia
11 de Junho de 1876, festa da Santíssima
Trindade, para vestir o hábito e portanto
inaugurar oficialmente o Instituto.
Preside a
Imaculada, a Virgem Maria, a quem Vicenta Maria
ama, como Mãe, e que, desde este momento, será
também a Mãe do Instituto, centro do carinho das
religiosas e jovens que, com o decorrer do
tempo, farão parte da família de Vicenta Maria.
O acto foi presidido pelo Sr. Bispo, D. Ciríaco
Maria Sancha, auxiliar de Toledo com residência
em Madrid. O Instituto sonhado é uma realidade!
|
| PASSO A
PASSO |
 |
|
E como a obra era
de Deus, foi crescendo, alargando os seus
horizontes… Vicenta Maria recebe cartas de
jovens que desejam unir-se à obra que começa a
dar os primeiros passos. O Sr. Bispo marcou a
inauguração do Noviciado para o dia 16 de Julho.
Desde o princípio, os acontecimentos mais
importantes do Instituto surgem à volta de
Maria. No seu coração de Mãe coloca a obra, e
vai-lhe entregando o desejo das jovens que se
entusiasmam a seguir Jesus apoiadas no exemplo
da sua vida.
Ritmo, compassado
ritmo de crescimento se verificava no novo
estilo de vida religiosa. Marcavam-se prazos
para passar de uma etapa à seguinte, era urgente
manter a evolução progressiva, cumprir o tempo
das etapas formativas. Por isso no dia 15 de
Agosto, novamente ao lado de Maria, celebra-se a
entrada no Noviciado das seis postulantes, que,
precisamente há um mês, tinham começado a sua
caminhada.
O Instituto
continua a crescer. Recebiam-se continuamente
cartas de apoio, felicitando Vicenta Maria pelo
bom andamento da obra. |
 |
| AMOR
E NOVIDADE |
 |
|
A estrutura de
vida que Vicenta Maria propunha às suas filhas
era muito inovadora. A coesão, a vida de
família, a união, a COMUNIDADE, vividas com um
amor afectuoso foi um VALOR no qual insistia a
todo o momento: "pensem que vieram para o
Instituto com este fim, a viver unânimes e em
harmonia e a terem um só coração e uma só alma
em Deus".
O Espírito de
Vicenta Maria projecta-se no Instituto como
orvalho que cai sobre a terra humedecendo-a e
concretiza-se nos seguintes rasgos de amor:
VONTADE DE DEUS,
"Todas as minhas acções
não hão-de ter outro fim que cumprir a Sua
vontade"
CARIDADE,
"Nada me agrada tanto como poder contemplar-vos
abrasadas no fogo da caridade"
MARIA,
"Pedir à Santíssima Virgem que
acolha a nossa Congregação sob o seu manto"
ENTREGA ÀS
JOVENS, "Procurar o
proveito das jovens sem perdoar sacrifício
algum"
OBEDIÊNCIA,
"Meu Deus, ensina-me a
obedecer" |
|

|
|
AMOR
E CRUZ
|
|

|
|
A Cruz na vida de
Vicenta Maria é quase contínua… Várias vezes
dizia que a esposa de Cristo crucificado há-de
gloriar-se em seguir as suas pegadas e se
abraça à cruz logo que intui os sinais da sua
presença.
À grande alegria
pela serenidade espiritual das suas filhas e a
consolidação do Instituto, uniram-se marcas de
grande dor:
-
A morte de D.
Maria Eulália e a da sua mãe D. Nicolasa.
-
A chegada de
cartas pedindo fundações e a escassez de
pessoal para dar resposta.
-
A aparição
dos primeiros sintomas de uma doença grave.
-
A perda do
capital.
Deus se
encarregaria de resolver tudo. O seu zelo
apostólico era maior, muito maior que as
dificuldades e em definitivo: a sua confiança em
Deus e o seu amor à juventude facilitavam-lhe os
caminhos.
Para Vicenta
Maria as dificuldades nunca são um entrave, um
impedimento ao amor… à entrega… ao serviço.
Quando tudo o que é humano falha, a certeza e a
segurança na ajuda de Deus cresce e se reforça. |
 |
|
MAIS ALÉM... |
 |
|
O amor de
Vicenta Maria é grande. Não tem limites. A
vontade de Deus é sempre o norte da sua vida. Já
deu forma ao seu Instituto. Suavemente, sem
ruído… com simplicidade vão aumentando as jovens
que atraídas pela Obra Social e pela
espiritualidade da nova Congregação, querem dela
fazer parte.
Vislumbra-se o
caminho carregado de promessas… as JOVENS, que
são o objectivo da sua missão, são também a
garantia da continuidade no futuro. Sempre
haverá jovens no mundo… e sempre encontrarão uma
mão aberta, estendida para ir ao seu encontro.
Antes de 1890
abrem-se cinco casas em diferentes cidades de
Espanha: Zaragoza, Jerez, Barcelona, Burgos e
Madrid, que por ser a primeira, se chama Casa
Mãe e a partir do dia 1 de Setembro de 1886 se
muda para a rua de Fuencarral.
A Igreja… viu o
seu trabalho apostólico, sentiu brotar a força e
o impulso de uma obra surgida no seu seio… e,
como mãe cheia de ternura, acaricia a obra que
nasceu e vai crescendo ao vento do Espírito sob
a protecção de Maria. Por isso quer dizer uma
palavra, e vai ao seu encontro com o
Decreto
Laudatório no dia 18 de Abril e 1888, no
qual o Santo Padre Leão XIII, "olhando todas as
coisas… atendendo… ao fim do Instituto, se
dignou louvá-lo e recomendá-lo…" É um
acontecimento grande. Chega quando a vida de
Vicenta Maria está na recta final. Brota nela um
sentimento de alegria, porque o Decreto
Laudatório é como a felicitação, a frase
carinhosa, o beijo de cumprimento, a bênção da
Mãe Igreja que a anima a Congregação a seguir o
caminho empreendido.
|
|
CHEGA AO FIM |
|

Continua
avançando o tempo sem parar a sua corrida…
estamos já no ano 1890. A Madre prepara-se para
fazer a Profissão Perpétua no dia 31 de Julho
deste mesmo ano.
A sua vida
exuberante e o seu coração vão-se apagando. A
doença tomou conta dela e não puderam pará-la.
Esgotadas as forças físicas, debilitada a
natureza pela febre que não pára, sente-se que o
final está a chegar e torna-se fácil compreender
que a nuvem escura da separação vai ensombrar a
vida a partir de agora.
À medida que os
dias passam, a Madre vai-se apagando. As Irmãs
vêem que a falta de forças será um forte
impedimento para ir à Capela, por isso,
procurando a forma de tornar possível o
encontro de Vicenta Maria com o Senhor na
Eucaristia, instalam um oratório no quarto
contíguo ao seu.
As Irmãs sofrem e
rezam pedindo as melhoras da Madre. E com que
interesse seguem as notícias que lhes vão dando…
Todas se esforçam por afastar a ideia, o
sentimento dos seus corações, mas o mal segue o
seu processo e Vicenta Maria vai chegando ao
fim. Também ela tem pena de partir… deixá-las
sozinhas; mas Deus, que as chamou, as auxiliará…
Confia muito e ama muito… |
 |
|
PARTIU... |
 |
|
Está frio…
Estamos no mês de Dezembro do ano de 1890.
Ninguém se atreve a pronunciá-lo, mas dentro de
momentos a Madre parte. A sua existência chegou
ao limite e ela sabe-o… A sua vida foi tomada
pelo amor e agora, quando sabe que a morte a vai
levar, está feliz, espera com alegria que se
rompa o véu para poder penetrar na eternidade.
Os olhos de todas as suas Filhas estão atentos
àquele quarto da rua Fuencarral, em que a Madre
se está apagando…Todas queriam estar a seu lado…
Ninguém diz nada,
mas Vicenta Maria lê nos seus olhos e nos seus
rostos a expressão de tristeza, a tensão em
manter a serenidade no momento em que o "adeus"
vai ficando mais próximo e teme. Porquê? Pelas
suas jovens. Pensa que os dias de Natal serão
tristes pela pena da separação e isso não pode
ser. Sobrepõe-se à fadiga e diz-lhes: "Quero
recomendar-lhes que por causa da minha morte não
se suprima nenhuma festa das jovens, e isto,
ainda que estivesse de corpo presente".
O tempo! Quem
pudesse parar o tempo! Continua compassado o tic
tac do relógio. Vai avançando a manhã. No
semblante da Madre antevê-se que a paz está
chegando… É a hora em que o Instituto confirma a
sua fé. À 1h.45m inclina suavemente a cabeça e
entrega-se ao sono eterno. Tinha apenas 43 anos.
PARTIU… Penetrou
nos mares da eternidade, donde abençoa e
acompanha a sua obra e as suas jovens. (Cfr. C.
Notário rmi "Caminho de Amor") |
|

|
|
BEATIFICACIÓN
|
|

|
No
dia 19 de Fevereiro de 1950, na Basílica do
Vaticano, o maior templo da cristandade, sendo
Papa Sua Santidade Pio XII e Geral da
Congregação a Madre Maria da Redenção Navas, tem
lugar a Beatificação de Vicenta Maria. A Igreja
não oculta pormenores para realçar a santidade.
No cento do altar, o Bispo que vai celebrar a
Eucaristia entoa o Te Deum. Entre as aclamações
da multidão que olha entusiasmada a Glória de
Bernini, soam as notas de acção de graças
enchendo toda a Basílica. O cortinado caído
deixa ver o quadro da nova Beata Vicenta Maria
López y Vicuña. Os sinos repicam a festa,
acende-se um grande número de lâmpadas e tudo é
admiração e louvor às virtudes daquela que viveu
fazendo o bem.
Na
solene cerimónia da sua Beatificação os
peregrinos, em número de 50.000, vibravam aos
acordes majestosos do hino:
"Salvé, Beata
Madre, Gloriosa
Modelo heróico de
virtude cristã,
verbo que ensina,
bálsamo que cura,
astro esplendente,
delicada rosa."
São títulos de glória que vão resumindo os
matizes da sua vida.
Celebra-se em toda a Congregação um tríduo de
acção de graças e em Cascante, sua terra natal,
engalanada e iluminada, ressoa o canto dos "auroros"…
"Já
amanhece o solene dia
enchendo de glória a nossa cidade,
este
dia virgem do Romero,
é para Cascante um
dia sem par;
pois Vicenta López
de Vicuña
sobe aos altares com solenidade,
a primeira mulher de
Navarra
beatificada por Sua
Santidade.
Celebremos este dia grande,
é dia de triunfo para a nossa cidade,
este dia o nosso Santo Padre
a toda Navarra nos quer obsequiar,
pois nos quer dar
a Vicenta López de
Vicuña
posta nos altares com
solenidade".
|
 |
|
CANONIZAÇÃO |
 |
|
No
dia 25 de Maio de 1975, Paulo VI, eleva Vicenta
Maria López e Vicuña à honra dos altares,
proclamando-a Santa. Na sua homilia da
Canonização, entre outras coisas, disse:
"Santa Vicenta Maria sentiu,
imperiosamente, o chamamento à caridade feita
serviço, algo que a convidou a dirigir a sua
atenção à mulher, sobretudo à jovem necessitada
de cuidados religiosos, de assistência social,
da autêntica sublimação cristã, numa palavra, de
promoção no sentido mais completo e elevado do
termo. Um trabalho, que, com as modalidades que
vão apresentando os tempos, constitui uma
exigência importante do mundo actual…
Assim, o Carisma da Fundadora
tem, na nossa época, uma vivência singular. Isto
mesmo, exige-vos, a vós, Religiosas de Maria
Imaculada, um empenhamento e um compromisso:
- um empenhamento de constante e
autêntica renovação, fixando o olhar na vossa
Santa Madre, para imitar o seu exemplo de
perfeição evangélica, centrada na caridade e
alimentada na adoração eucarística e na devoção
à Santíssima Virgem, características relevantes
na espiritualidade de Vicenta Maria; assim como
a sua fidelidade e amor à Igreja. Numa palavra,
para seguir os seus passos na vida espiritual e
apostólica.
- um compromisso, o
da caridade social que constitui também a
herança principal da vossa Fundadora. Em quase
cem anos de vida, que bem que soube a vossa
Congregação empregar esta herança em favor da
promoção das jovens.
Com alegre complacência vós,
queridas Religiosas de Maria Imaculada, aqui
presentes e a todas as que não puderam vir, têm
neste momento o seu olhar posto nesta assembleia
eclesial. Ânimo! Sempre em frente! |
|
|
 
|
|
|
|